Aberto pra toda forma de arte!

Um ateliê aberto no Capão Redondo! Futuramente, uma residência artística. É o Capãonu, que abre seu espaço para múltiplas linguagens artísticas: música, escultura, vídeoarte, performances, produções, ensaios, apresentações e exposições; aberto às artes nas mais diversas formas de expressão – cênicas, circenses, plásticas, visuais.

Em um ano, mais de 30 bandas já estiveram por lá.

Uma vez por semana também pretendemos abrir para gravações de músicos e bandas. Ensaios aberto é outra possibilidade. É um espaço de produção fora das instituições, pra galera produzir”, conta Beto Silva, um dos idealizadores do Ateliê Aberto, que é morador do Capão a vida toda.

Aberto, provocativo e crítico! É o que se pode dizer do espaço. Beto Silva era um dos integrantes do coletivo Gente Muda (daí pode ter vindo esse espírito criativo revolucionário), que, desde 2005, traçou sua trajetória a partir de experimentos e pinturas na rua.

A livre expressão é um direito?

No primeiro graffiti que fizemos, a gente tomou um ‘enquadro’ (da polícia). Antes disso, a gente só queria fazer um fanzine com algumas ilustrações que já tínhamos, mas a ideia cresceu até chegar aos graffitis, pintura em tela, em painéis e ao livro “Servo dos Servos”, pois as HQ’s sempre estiveram por perto, seja como referência artística ou como objetivo em produzir uma”, conta Beto, já relatando um pouco da sua trajetória solo.

Tudo isso sem contar o curta-metragem Gente Muda, um clássico das quebradas lançado em 2009, que já trazia questionamentos em torno da liberdade de expressão. Afinal, quem seria o proprietário da rua? O graffiti e a arte precisam de licença pra existir?

Pintando as ruas do Capão

Na pequena rua em que fica o Capãonu, os graffitis de Beto e seus companheiros do Gente Muda e de outros rolês estão em várias das paredes.

Já conhecia os moradores da rua e daí chamei amigos, artistas, e começamos a pintar nas paredes. Ninguém reclamou, só elogios”, relata o artista. E, assim, a rua cinza da grande metrópole ganhou um colorido especial!

Quem dera todas as ruas fossem assim…

Grafites por aí afora

Os grafites do Beto Silva estão por toda parte, o mais recente é o da Yellow Bike, que fica perto da Comendador Sant’anna no Capão (já pertinho do Jardim Ângela); mas a “arte nos muros” de Beto já chegou até a Argentina e ao Uruguai.

Agora o Ateliê promete ser um espaço de arte livre e continua a ser questionador, começando pelo próprio nome:

“O Capão no nome do Ateliê tem a ver com nossa origem, pois nascemos aqui; o Nu tem a intenção de promover a reflexão sobre o nu na arte, a forma como isso é tachado pela sociedade e o impacto social que tem até hoje”, relata Beto.

O que imediatamente nos remete ao caso do Museu de Arte Moderna (MAM), que se tornou uma polêmica e aqueceu debates.

Arte sem manual de instruções

A proposta do trabalho de Beto Silva é a arte questionadora, que deixa margem para a reflexão e a livre interpretação:

“Curto mais trabalhar só a imagem e não ter coisa escrita, gosto da arte menos óbvia, que traz questionamentos. Arte não precisa de manual de explicações, deve ser livre para a interpretação de cada um”, finaliza.

O Ateliê Aberto Capãonu acaba de ganhar um financiamento do VAI (Programa de Valorização de Iniciativas Culturais). E tem muita novidade boa vindo por aí!

Fique ligado nas redes sociais do Capãonu Ateliê Residência: @capaonu

O ateliê fica na rua Maria Blanchard, 177 – Capão Redondo

Entre em contato pelo e-mail : capaonu@gmail.com