O Corre da Mãe Empreendedora

Empreendedorismo Feminino. Termo que vem ganhando cada vez mais espaço. Uma tendência ou reflexo da situação econômica atual? Na periferia, desde sempre, mulheres empreendem…

A mãe empreendedora nem sempre opta por esse caminho por uma questão de estratégia de negócios ou 100% ciente de cada etapa necessária para que seu empreendimento alcance o sucesso. Muitas vezes empreender é a única saída. Muitas vezes empreender também é a expressão da sua potência, da sua força, do sonho e do direito de ser quem se quer ser. Outras vezes é a valorização da sua história, da arte manual que a artesã ou artesão aprendeu com sua mãe, avó, tias…

Ao serem questionadas sobre como começaram a ter seu negócio próprio, muitas  empreendedoras nos respondem:

“Queria ter um tempo pra ficar com meu filho e não depender financeiramente de ninguém!”

Outras ainda carregam uma memória afetiva:

“Aprendi a trabalhar com as linhas com minha mãe, desde menina, hoje esse é o meu sustento”

Empreender na periferia não é sobre ter uma ideia genial e inédita e se tornar um grande negócio. É sobre conquistar autonomia…É a maneira que muitas mulheres encontram pra pagar as contas numa situação de desemprego (cada vez mais comum, infelizmente). Ou seja, empreender nem sempre é uma escolha, e sim uma necessidade! Mas, por trás dessas histórias de luta, há muita luz também. Mães empreendem pra estarem próximas de seus filhos, porque não se imaginam fazendo outra coisa que não seja “honrar” a arte manual herdada pelas avós, mães. Muitas vezes é para complementar a renda dentro de casa ou pra passarem por uma situação de escassez financeira, mas também tem muito amor nesta escolha.

E há desafios neste percurso, como há! Os desafios são muitos e vão além de entender do próprio negócio; é um malabarismo diário que envolve: conciliar os cuidados com a casa e a família (sabemos que, na maioria dos casos, essa responsabilidade ainda recai sobre as mulheres), dar conta das atividades do emprego fixo quando é o caso de uma dupla jornada, planejar todas as etapas e preparar os produtos para a venda dentro de prazos que atendam os potenciais consumidores, comprar matéria-prima e ainda administrar essas finanças para que o empreendimento se sustente. Ufa!

Quando uma mulher decide empreender, ela coloca nos seus produtos seus sonhos, sua expectativa de uma vida melhor, suas necessidades materiais, liberta ali sua criatividade, dedica seu amor pra entregar o melhor de si em forma de produto!

O Dia das Mães se aproxima e a reflexão que propomos é: “Será que, além de homenagear as mães do seu convívio com um presente, não é possível ir além e ajudar a tornar o Dia das Mães de alguém mais próspero e feliz?”.

Agora, com a pandemia, as coisas estão mais complicadas ainda e é momento de colocar a solidariedade em prática. Pertinho de você certamente há uma mãe criativa, talentosa e dedicada, que está ansiosa pela oportunidade de que seus produtos sejam ofertados com muito amor a outras mães nas próximas semanas, e que os frutos desse trabalho retornem pra ela, para que sejam ofertados, a seus filhos, melhores condições.

Vamos nos unir nessa causa? Valorizar, reconhecer o trabalho de uma mãe trabalhadora manual! Que faz um trabalho com o coração e a alma, que se dedica com cuidado e carinho a cada detalhe. Bem diferente dos grandes comércios. Vem com a gente! Some na nossa Campanha do Dias das Mães! Compartilhe e divulgue essa causa!

#fortaleçaotrabalhodeumamãe

 

 

Quebrada Orgânica

Da paixão pelo verde da varanda de casa a produtores de Parelheiros que oferecem orgânicos de forma gratuita para famílias da quebrada

Fizemos uma entrevista com os criadores do Quebrada Orgânica: Joyce Izauri de Jesus e Robert José Placides Pereira, mais conhecidos como Joy e Robert!

Como nasceu o Quebrada Orgânica?

A gente já vinha inquieto, com as ideias sobre o meio ambiente, da nossa relação com a terra e com a natureza. Pensando no lugar em que moramos na quebrada; que não tem muita opção de horta, muito contato com o verde. Quando a gente está precisando de terra pra se sentir bem, a gente vai para o sítio, eu sei que a gente não vive dentro do verde que a gente quer, então foi desta inquietude que veio a Quebrada Orgânica.

O Robert mantinha uma horta que não cabia na varanda de casa, foi crescendo; daí a gente viu que cada hora ele plantava uma coisa e tudo que ele plantava, dava! Depois, começamos o sistema de compostagem na nossa casa, o Robert criou a composteira, foi atrás de entender sobre biofertilizante, de utilização do húmus, etc..

Eu (Joy) já trabalhava em Parelheiros, com desenvolvimento local para um braço da prefeitura, tinha contato com os agricultores de lá e fui aprendendo muitas coisas fantásticas. Eu não fui uma criança que tinha família em sítio, não tinha esse contato com a terra e fiquei muito impressionada quando tive contato com este verde em Parelheiros. Descobri que lá tem as últimas famílias rurais do munícipio de São Paulo, são as remanescentes rurais, última área rural em São Paulo de agricultura orgânica.

Hoje se você tenta comprar um sítio lá, eles te perguntam: “o que você vai produzir?”. Se você não cultivar orgânico lá, você fica a ver navios, porque um produtor nunca escoa o seu alimento sozinho, ele sempre escoa numa rede. Então, em geral, só quem consegue entrar para começar a produzir em Parelheiros é quem está interessado no orgânico. Isto deixa a gente muito feliz, e a gente foi se apaixonando, apaixonando, e assim nasceu o Quebrada Orgânica.

Quais as maiores dificuldades?

Somos um projeto que oferece muito para as pessoas e, na maioria das vezes, de forma gratuita. Sempre temos que captar recursos de instituições e editais para poder fazer o Quebrada Orgânica acontecer, sempre oferecendo algum produto para as famílias da quebrada e de forma gratuita.

No ano passado foram 130 composteiras. No ano retrasado, 120. Isso tem um custo alto.  Estamos sempre tentando captar recursos para não ter que cobrar da galera aqui, desta forma a maior dificuldade é correr atrás de captar.

E eis que surge o Enjoy, um delivery de orgânicos, um espaço de negócios…

Como é trabalhar com orgânicos com a população da periferia?

Trabalhar com os orgânicos na periferia virou um projeto de vida para a gente. Hoje temos o Quebrada Orgânica e o Enjoy, que é o delivery de orgânicos, ambos trabalham separadamente. Um tem um lado mais social e o outro é mais um espaço de negócio, que visa gerar renda para pagar as contas, o que garante a nossa sobrevivência.

Trabalhar com orgânico aqui na quebrada é não abrir mão de trabalhar como formiguinha, trabalhando um dia após o outro. O pessoal do “lado de lá da ponte” acha que quem está na periferia não quer consumir orgânicos, mas as pessoas querem! O que elas não têm às vezes é acesso a este alimento próximo (de casa). No mercado, na periferia, não dá pra encontrar um alimento orgânico de qualidade, só conseguimos achar processados orgânicos que estão na prateleira há um tempão. A gente leva orgânicos para pessoa sob encomenda semanalmente; a pessoa pede exatamente o que ela quer e trazemos tudo fresco!

Tem uma coisa que eu não posso perder a oportunidade de falar: muita gente tem um pensamento errado! Acha que está comprando da menina do orgânico (“nossa, coitadinha”!), preciso ajudar, e faz a compra como se fosse um favor. Estas pessoas precisam ver o impacto da coisa, estar aqui oferecendo orgânico para a quebrada é sensacional, o que fazemos é grande. O valor do pedido mínimo aqui pode ser pequeno e o meu lucro pode ser pequeno também, mas o que a gente faz é grande.

Também temos como missão trabalhar a questão da alimentação, mas do alimento como um todo. De tudo em torno do alimento: o que você come, de onde ele vem, quem produz seu alimento, como produz, o que você tem que fazer enquanto pessoa dentro da sociedade. Qual é o papel de cada um dentro de tudo isso? Você não está aí a esmo, você está aqui para alguma coisa, e o que esperamos é que as pessoas assumam este papel!

E daí surge o Festival Quebrada Orgânica…

A 1ª edição do Festival Quebrada Orgânica foi em 2020, com o apoio da Lei de Fomento a Periferia. Foi sensacional, apesar de já estarmos na pandemia, o Robert criou um menu em Gastronomia Social e a gente mandou para casa da galera aquele menu. Não teve festa e nem um grande encontro como a gente sempre faz com a nossa rede, com música, teatro, sarau, poesia, mas ficou a parte gastronômica.

O 2º Festival, deste ano, vem numa pegada maior, no formato de festival online, então a gente produziu todo um leque de programação artística que traz uma abordagem acerca da nossa conexão com a terra. Escolhemos artistas que falam, abordam e mostram na sua arte questões que tem a ver com os nossos conceitos. Gente que gosta de pisar na terra, que gosta de falar sobre valorizar as ancestralidades; valorizar aquilo que vêm da terra, as origens e, ao mesmo tempo, ter visão de futuro.

Então, é gente que tenta fazer o melhor e fazer junto para o amanhã.

Nesta edição, temos inscrições até da Ilha de Páscoa e do Chile, além do Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia, Minas Gerais, do interior de São Paulo e capital. Foram cerca de 150 inscrições

O Festival é gratuito, mas também colocamos o box como opcional para quem quiser adquirir. O box é composto por uma cesta de produtos agroecológicos orgânicos e tem um menu gastronômico, que custa R$ 39,00 e serve duas pessoas. É um valor baixo, mas que nos auxilia na manutenção do projeto.

Quer conhecer mais sobre esse projeto? Acesse o site www.http://quebradaorganica.com/  ou o Instagram @quebradaorganica

E-Bairro Cast #5 Uberê Guelé – Autor do livro “Couro de Gente”

No 5º episódio do e-Bairro Cast conversamos com o talentoso Uberê Guelé. Artista Plástico, Ator, Poeta e autor do livro Couro de Gente.

Morador do bairro do Campo Limpo, Uberê descobriu nos saraus o caminho para expressar seus pensamentos através da poesia.

Uberê nos conta um pouco das suas influências e processos para suas criações, suas expectativas de futuro para esse momento de incertezas e nos leva a uma viajem por seu cotidiano e suas raízes.

Ouçam e conheçam Uberê Guelé!

Pra fortalecer essa escrita você pode adquirir o livro Couro de Gente clicando aqui.