A trajetória de uma artesã na marcenaria e no Eco Designer

Foi com 13 anos que Lilian Seraos iniciou sua jornada empreendedora: pegou o primeiro salário e comprou lingeries para vender. Desde cedo, já demonstrava habilidade para esse mundo empreendedor, vem de uma família de 10 irmãos e, enquanto os pais davam duro, ela batalhava como podia: como babá, doméstica, passadeira, vendedora porta a porta, auxiliar de escritório em uma advocacia, manicure, massagista e vendedora de shopping. Até que a maternidade deu forças para se tornar uma artesã no ramo da marcenaria e do designer.

“Queria ter um tempo pra ficar com meu filho e não depender financeiramente de ninguém”, conta a empreendedora.

Em 2012, recém casada, Lilian começou a decorar sua casa, mas, como a grana era curta, ela pegava móveis descartados na rua para restaurar. Com o tempo, as pessoas que a visitavam começaram a fazer encomendas e daí iniciou o negócio.

Persistência e se capacitar são passos necessários

 “Muitos imaginam empreendedorismo como um conto de fadas ou até mesmo ostentação, mas não é nada assim. Empreender é como matar quatro leões por dia. No meu caso, eu me especializei na área de marcenaria. Na época, muitos professores me apoiavam, mas, como é um área predominantemente dominada por homens, encontrei o machismo e o preconceito. Não desisti, insisti e me capacitei, até ficar tão boa ou mesmo melhor que alguns homens. Hoje posso dizer que valeu a pena a minha persistência ou a minha teimosia como diz meu pai!”.

Apesar dos percalços, Lilian reforça que empreender é possível sim, desde que se busque conhecimento e se opte por empreender com propósito, daí o sucesso vem. Hoje ela está à frente do Studio Lilian Seraos Arte & Design e é uma das artesãs com loja virtual no e-Bairro.

Empreender na periferia

“A dificuldade de empreender na periferia vem da análise do público, porque geralmente se pensa que o produto nem sempre é tão bom quanto de grandes marcas. Na realidade, muitas vezes é o oposto. Se estivesse no centro, a única coisa que mudaria seria a forma de empreender, pois meus clientes também são da região central”.

Empreender como mulher

“As dificuldades hoje encontradas pelas empreendedoras é que vivemos num mundo machista, sendo assim qualquer coisa ou atitude que o homem faça é visto como empreendedor de sucesso e o negócio da mulher apenas como um bico, freelancer ou algo do gênero”.

Lilian e seu filho, que foi o grande motivador pra ela começar a empreender

O coletivo

Mesmo empreendendo solo, Lilian também tem um coletivo e entende a importância do trabalho em conjunto. Ela e dois artesãos – Cida André, da Criativitude – Arte e Artesanato, e Ronaldo Bozzi, do Studio Izzob –  são integrantes do Ateliê Coarte, que está localizado em um espaço na Casa de Cultura e Educação do Jardim São Luís.

“Nós nos unimos com o propósito de trocar e compartilhar conhecimentos e trabalharmos com projetos, oficinas e workshops”.

Outra possibilidade de estar junto com outros empreendedores somando é o e-Bairro, que possibilita redes de trabalho formadas sobretudo por mulheres empreendedoras, costureiras e artesãs, mas também inclui homens artesãos, escritores e artistas.

Entrevista: Kelly Lemos / Edição de texto: Carla Prates

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