Empreender na coletividade

Coletivos ou redes de mulheres empreendedoras estão cada vez mais se multiplicando – sempre foram uma forma de continuar resistindo no ofício; veja o exemplo das cooperativas – mas nem sempre ouvimos falar sobre eles. Na sociedade, muitas vezes impera o “cada um por si”, mas exemplos como o de Vera demonstram a força que tem esse formato de trabalho e de geração de renda, que traz inúmeros benefícios para quem se propõe a fazer parte e fazer junto.

A história da empreendedora Vera Lúcia dos Santos, empreendedora do e-Bairro e idealizadora do coletivo Ponto a Ponto, se parece com a de muitas mulheres que tentam ganhar a vida por conta, mas é diferente porque ela soube se cercar de estratégia e resiliência. Tudo por conta de um propósito.

Após 25 anos com emprego com carteira assinada e uma experiência de 10 anos na área da assistência social, decidiu empreender e demonstra hoje que, com fé, trabalho e foco em não perder oportunidades, tudo tende a dar certo!

Desde o início, aparecia oportunidade e ela estava lá, com seu alto-astral e otimismo de sempre! Vera fez um curso de empreendedorismo no Sebrae em 2015, época em que se oficializou como MEI (microempreendedora individual) e participou de alguns workshops do Facebook e do Google.

Depois, fez o credenciamento na SUTACO (Sistema Único do Trabalho Artesanal nas Comunidades) e conseguiu da prefeitura uma licença para expor seus produtos sem a necessidade do pagamento da taxa territorial cobrada aos demais participantes.

Essas e outras produções da Vera e do Coletivo Ponto a Ponto estão disponíveis no site do e-Bairro.

Agregar com a experiência de vida

Formada em Contabilidade e Assistência Social, trabalhou 10 anos no serviço público e resolveu empreender naquilo que oferecia dentro do SUS (Sistema Único de Saúde), que era atender e direcionar pessoas para a melhoria de sua qualidade de vida, geração de renda e identidade pessoal.

Sendo assim, com mais duas amigas da área da saúde, Vera iniciou os trabalhos em casa mesmo e, depois, elas passaram a se reunir na garagem da vizinha. E, aos poucos, os trabalhos foram se espalhando pelas redes sociais.

Hoje o Coletivo Ponto a Ponto, formado por Vera, já conta com 3 artesãs. “Além disso, tem mais meninas que trabalham em suas casas, colocam seus produtos no meu espaço e 10% do que é vendido fica para o Coletivo, pois faço a divulgação, uso minha máquina de cartões e minhas embalagens. E, uma vez ao mês, fazemos o ‘Bazar do Condomínio’”, conta Vera.

Os “perrengues” do início. Quem nunca?

Para ela, uma das maiores dificuldades foi o início, pois a insegurança e o medo são as principais matérias-primas.

“Reunir capital para comprar uma loja foi difícil, a saída encontrada foi ir guardando um pouco do meu salário todos os meses até que, em setembro de 2018, eu consegui comprar os primeiros itens para abrir uma loja”, lembra.

Uma trajetória com final feliz! Desde a adolescência, Vera faz trabalhos artesanais até que, na idade adulta, teve coragem de transformar o hobby em fonte de renda.

Em 2018, ela foi selecionada para um edital da prefeitura de SP, e, com a verba recebida, conseguiu melhorar ainda mais os serviços oferecidos, além de incluir outras mulheres artesãs à lida.

“Eu me preparei e fui convidando amigas que tinham afinidade com a área e, aos poucos, vou transmitindo pra elas o que aprendi como empreendedora para que todos possam criar autonomia e buscar suas próprias linhas de trabalho sem ficar na dependência apenas do Coletivo”, conta.

Está iniciando? Olha as dicas da Vera pra você!

Para quem está iniciando, ela indica:

“Preparar-se fisicamente, mentalmente e financeiramente é essencial antes de começar o próprio negócio, pois iniciar sem grana e ser seu próprio patrão exige muita dedicação”.

Vera trabalha em média 12h por dia, mas foca na qualidade do produto e na pontualidade da entrega.

O trabalho é feito com confiança por conhecer os clientes que, na maioria, são amigos e vizinhos. Ela é moradora do Jardim São Luís. “Quando vendo pro Centro, os produtos são adquiridos pelas redes sociais, são públicos para produtos distintos. Pedem mais customização e transformação de roupas, moda praia e peças mais elaboradas; eles não se importam com o preço, principalmente ao saber que a peça é exclusiva e feita a mão. Já a periferia consome mais reformas de roupas e alguns produtos para decoração”, completa Vera, mostrando entender como ninguém do próprio negócio.

Conheça mais sobre o trabalho da Vera e do Ponto a Ponto no e-Bairro!

 

 

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