e-Bairro Cast #2 Binho do Sarau do Binho e Outros Movimentos Culturais

A literatura e incentivo a leitura fazem parte do trabalho realizado pelo coletivo Sarau do Binho há muito tempo e vem ganhando a cada ano novos canais para o desenvolvimento de uma rede cultural potente que reúne artistas e poetas da Zona Sul

Quem tem os livros como companhia nunca está só!

O que começou num bar no Campo Limpo nos anos 90 sem grandes pretensões,  hoje se tornou um movimento importante da cultura local, dali, muitos projetos surgiram: a saudosa Postesia, o projeto Donde Miras, saraus nas escolas, distribuição de livros nos pontos e terminais de ônibus, a famosa bicicloteca, a produção da FELIZS- Feira literária da Zona Sul e tantos outros.

Ouça no Spotify:

Nesse papo o poeta nos conta histórias sobre como tudo começou e os caminhos que o levaram a crer no poder das palavras como instrumento de transformação social.

“Uma andorinha só não faz verão, mas pode acordar o bando todo…”

Vem com a gente conhecer um pouquinho dessa caminhada!

 

Esse podcast foi realizado com o incentivo do projeto “Comunidade em Rede” do Instituto Jatobás em parceria com o Atuação Perifasul.

 

O e-Bairro Cast está no ar!

Nesse primeiro episódio você vai conhecer a equipe do e-Bairro, nossos sonhos e motivações para realização desse projeto e um pouco mais do que vem por ai. Ao longo dos próximos episódios vamos conversar com escritores, artistas, artesãos e produtores culturais que fazem parte da nossa rede.

Já tem algum tempo que tínhamos a vontade de registrar em um podcast a riqueza de algumas conversas que rolam com quem está presente “fazendo arte” nos territórios do Jardim São Luis, Capão Redondo, Jardim Ângela e Campo Limpo, bairros da periferia da Zona Sul de São Paulo onde o e-Bairro atua.

Eis que essa oportunidade surgiu com o apoio do projeto Comunidades em Rede do Instituto Jatobás a convite realizado pelo edital Atuação Perifasul do qual o e-Bairro faz parte.

Esperamos que ouçam, gostem e compartilhem para levar esse projeto cada vez mais longe!

Clique para ouvir:

 

Saímos no Pequenas Empresas Grandes Negócios!

 

Sabe aquelas surpresas que enchem a gente de forças para seguir adiante? Pois foi assim que sentimos quando recebemos a ligação de um produtor da Globo querendo bater um papo e fazer uma matéria sobre o e-Bairro para o programa Pequenas Empresas Grandes Negócios!

Convite aceito!

Contamos com a participação de uma das empreendedoras da plataforma, a Thamata Barbosa da loja Em.Feito, que recebeu a equipe em seu ateliê onde produz cadernos e blocos artesanais, Thamata falou dos resultados que vem alcançando com o seu trabalho, mostrou o seu processo de produção e o contexto em que estamos inseridos.

Para representar a equipe do e-Bairro, uma das idealizadoras do projeto, Diane Padial, falou sobre a nossa proposta e motivações para realizar esse trabalho na periferia, contou um pouco sobre o nosso marketplace e os reflexos dessa rede no território.

Ver o mercado artesanal e iniciativas da periferia ganhando visibilidade na mídia é muito importante pra quem tem na arte seu sustento, gera inúmeras oportunidades e incentiva o consumo desses produtos.

Você pode ver a matéria completa aqui:

 

Essa matéria nos deu uma visibilidade muito maior do que imaginávamos e ainda estamos colhendo seus frutos, dali vieram novos empreendedores, convites para participar de outros programas, parcerias e grandes reflexões sobre os próximos passos que iremos trilhar a partir dos ensinamentos que essa experiência nos trouxe.

Uma oportunidade que vai ficar marcada na nossa história, um selo de reconhecimento e incentivo para seguirmos em frente.

 

Por: Naiara Corso

Feira de Artesanato Online? Temos!

Feira de Artesanatos Online III Feira Afetiva da União Akasha

Quando o vírus chegou, pegou a todos de surpresa, com os artesãos não foi diferente, as feiras, eventos e oportunidades de expor seus produtos foram substituídos pelo medo e a incerteza do que viria.

Após assimilar melhor o novo momento veio a necessidade de se readaptar, buscar outros caminhos e seguir.

Em meio a esses dilemas que vieram com a pandemia, fomos convidados pela “União Akasha – Centro de desenvolvimento Humano” a centralizar em nosso marketplace uma feira de artesanatos online, que seria parte importante de um evento também online realizado por eles, a III Feira Afetiva da União Akasha.

A União Akasha é um espaço localizado no bairro do Campo Limpo que promove terapias integrativas, ferramentas de autoconhecimento, tratamentos naturais, vivências artísticas e culturais entre outras atividades gratuitamente ou com valores acessíveis a população periférica.

Você pode conhecer melhor o trabalho da União Akasha aqui.

As edições anteriores da Feira Afetiva reuniram os saberes dos amigos e parceiros do espaço em um evento presencial de um único dia, oferecendo terapias integrativas, palestras, apresentações, performances e claro, muito artesanato!

Na terceira edição que aconteceu entre 29 de julho e 05 de agosto, todos os encontros foram através de lives nas mídias sociais, o que possibilitou ampliar essas ações para um público muito maior. Cerca de 20 atividades foram transmitidas online nesse período e estão disponíveis nas redes da União Akasha. (@uniãoakasha no Instagram e União Akasha no Facebook e Youtube)

Como fazer para incluir o artesanato nesse evento?

Para a edição de 2020 encontramos juntos a alternativa de criar dentro do e-Bairro uma “Loja Promocional” customizada na temática da feira, onde os produtos de todos os artesãos apareciam expostos todos juntos.

Loja promocional da Feira Afetiva no e-Bairro.

O e-Bairro foi escolhido como plataforma para termos as facilidades de cálculos de frete, formas de pagamento, segurança nas transações financeiras e claro, por ser uma maneira de fortalecer o empreendedorismo local.

Para a divulgação contamos com os esforços conjuntos entre a divulgação promovida pela União Akasha, o e-Bairro e o engajamentos dos empreendedores, o resultado foi muito gratificante! Mais do que vendas, recebemos na plataforma novos empreendedores, descobrimos o quanto somos capazes de nos adaptar a situações adversas, a potência de alcance que a nossa união é capaz de atingir e a força crescente que esse tipo de parceria nos proporciona.

Foi uma experiência muito fortalecedora para todos nós.

Confira a arte de divulgação criada para cada empreendedor participante:

Agradecemos a União Akasha pela confiança e parceria e esperamos poder contribuir muitas outras vezes de maneiras diversas.

Também está organizando um evento online e gostaria de oferecer arte e artesanato? Vamos conversar mande um e-mail para ebairroweb@gmail.com

Por: Naiara Corso

 

A trajetória de uma artesã na marcenaria e no Eco Designer

Foi com 13 anos que Lilian Seraos iniciou sua jornada empreendedora: pegou o primeiro salário e comprou lingeries para vender. Desde cedo, já demonstrava habilidade para esse mundo empreendedor, vem de uma família de 10 irmãos e, enquanto os pais davam duro, ela batalhava como podia: como babá, doméstica, passadeira, vendedora porta a porta, auxiliar de escritório em uma advocacia, manicure, massagista e vendedora de shopping. Até que a maternidade deu forças para se tornar uma artesã no ramo da marcenaria e do designer.

“Queria ter um tempo pra ficar com meu filho e não depender financeiramente de ninguém”, conta a empreendedora.

Em 2012, recém casada, Lilian começou a decorar sua casa, mas, como a grana era curta, ela pegava móveis descartados na rua para restaurar. Com o tempo, as pessoas que a visitavam começaram a fazer encomendas e daí iniciou o negócio.

Persistência e se capacitar são passos necessários

 “Muitos imaginam empreendedorismo como um conto de fadas ou até mesmo ostentação, mas não é nada assim. Empreender é como matar quatro leões por dia. No meu caso, eu me especializei na área de marcenaria. Na época, muitos professores me apoiavam, mas, como é um área predominantemente dominada por homens, encontrei o machismo e o preconceito. Não desisti, insisti e me capacitei, até ficar tão boa ou mesmo melhor que alguns homens. Hoje posso dizer que valeu a pena a minha persistência ou a minha teimosia como diz meu pai!”.

Apesar dos percalços, Lilian reforça que empreender é possível sim, desde que se busque conhecimento e se opte por empreender com propósito, daí o sucesso vem. Hoje ela está à frente do Studio Lilian Seraos Arte & Design e é uma das artesãs com loja virtual no e-Bairro.

Empreender na periferia

“A dificuldade de empreender na periferia vem da análise do público, porque geralmente se pensa que o produto nem sempre é tão bom quanto de grandes marcas. Na realidade, muitas vezes é o oposto. Se estivesse no centro, a única coisa que mudaria seria a forma de empreender, pois meus clientes também são da região central”.

Empreender como mulher

“As dificuldades hoje encontradas pelas empreendedoras é que vivemos num mundo machista, sendo assim qualquer coisa ou atitude que o homem faça é visto como empreendedor de sucesso e o negócio da mulher apenas como um bico, freelancer ou algo do gênero”.

Lilian e seu filho, que foi o grande motivador pra ela começar a empreender

O coletivo

Mesmo empreendendo solo, Lilian também tem um coletivo e entende a importância do trabalho em conjunto. Ela e dois artesãos – Cida André, da Criativitude – Arte e Artesanato, e Ronaldo Bozzi, do Studio Izzob –  são integrantes do Ateliê Coarte, que está localizado em um espaço na Casa de Cultura e Educação do Jardim São Luís.

“Nós nos unimos com o propósito de trocar e compartilhar conhecimentos e trabalharmos com projetos, oficinas e workshops”.

Outra possibilidade de estar junto com outros empreendedores somando é o e-Bairro, que possibilita redes de trabalho formadas sobretudo por mulheres empreendedoras, costureiras e artesãs, mas também inclui homens artesãos, escritores e artistas.

Entrevista: Kelly Lemos / Edição de texto: Carla Prates

Empreendedorismo periférico: a solução em nós mesmos

Empreender é um termo da moda, mas na quebrada sempre foi cotidiano “fazer bico”, “se virar nos 30 pra sobreviver”, “inventar e reinventar pra achar um jeito de ganhar a vida”. O que se tira de positivo desta “onda do momento” é o que faz valer a máxima: “se alguém pode fazer algo por nós, somos nós mesmos”! No empreendedorismo periférico, que ganha cada vez mais olhares e incentivos (que continue assim), é que estão as soluções para os problemas da periferia. No dia 27 de novembro, dez pitchs (apresentações de, no máximo, 10 minutos) foram apresentados durante a formatura de empreendedores da 3ª turma da Anip (Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia).

Segundo Fabiana Ivo, diretora pedagógica da produtora A Banca, que em parceria com a Artemísia e a FGV CEEN (Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios), formam a Anip; o processo de formação dos empreendedores pela aceleradora teve como transversalidade a educação popular. “Acreditamos no ecossistema da base. Citando um ditado que gosto muito, nossa cabeça pensa aonde nossos pés pisam, fomos até os empreendedores para ouvi-los no seu lugar de fala. O processo foi construído por de meio de espaços de cocriação e rodas de conversas. O maior valor está nas pessoas, em se acreditar no potencial delas”, conta ela.

Foram 9 meses de formação até chegar ao momento dos pitchs e da celebração. E ver os modelos de negócios confirma a legitimidade e a relevância de os moradores da periferia pensarem e proporem soluções para os seus próprios territórios.

Estávamos entre o público que assistia aos pitchs, eu e Diane Padial – como idealizadores do e-Bairro –, e na devolutiva aos empreendedores (que era feito em formato de painel de sugestões) muitas das vezes o que assinalei era apenas: “por favor, torne esse projeto escalável, multiplique essa ideia maravilhosa”!

Jaubra: “um Uber da periferia”

Entre os empreendimentos, um que chama muita atenção por ser simples e resolver uma problemática muito complexa é o Jaubra. Um aplicativo do “tipo Uber” que chega a lugares da favela aonde o Uber não chega. Partiu da necessidade de uma solução quando os aplicativos pararam de atender na periferia. É uma startup da zona Norte (Brasilândia) que, além de gerar renda para os motoristas locais (os próprios moradores dirigem os carros e atendem a população de suas quebradas), possibilita a mobilidade das pessoas que vivem nessas áreas, nas mais diversas situações, desde a de um morador que está atrasado pra chegar ao trabalho até casos mais críticos, de necessidade de ida a um hospital ou consulta de um idoso ou criança.

O aplicativo já tem mais de 100 motoristas cadastrados. Site: https://jaubra.com.br/sobre-a-jaubra/

HotD: armário virtual

Outro negócio apresentado foi o HotD, um closet virtual de consumo compartilhado de roupas. O usuário pode escolher uma roupa pelo aplicativo e recebe a peça em casa. Os empreendedores argumentam que a ideia evita o consumismo e é alternativa para quem quer renovar o visual, sem gastar muito, além de ajudar o meio ambiente, evitando o desperdício e o descarte de roupas. Eles também estão investindo no modelo B2B, de negócio para negócio, no qual pode ser proposta a troca de sacolas entre funcionários. Site: www.hotd.com.br

Trucss: calcinha para trans

Da sua atuação na área da saúde, a idealizadora do Trucss percebeu que muitos trans tentam de forma inadequada “prender suas genitálias”, o que pode provocar incontinência urinária e problemas na pele, entre outras questões de saúde. Pensando nisso, desenhou e patenteou um modelo de suporte para prender a genitália (uma calcinha no formato de funil) que garante a saúde dos transexuais. Site: www.trucss.com.br

Repaginame: decoração e arquitetura para pequenos

Startup de decoração e arquitetura para pequenos negócios, a Repaginame propõe melhorar a cara dos negócios (o visual) melhorando assim a performance comercial. Além disso, também oferece um pacote de serviços para acompanhar os negócios em execução. Para o futuro, a empresa visa focar em parcerias B2C (com empreendedores do bairro) e B2B (com empresas que possam patrocinar as reformas em espaços periféricos). Site: www.repaginame.com

LiteraRua: editora para autores periféricos

Com 22 livros publicados (infanto-juvenis, poesia, crônicas e biografias), que estão em grandes livrarias ou disponíveis pela venda direta, o LiteraRua também revende mais de 1 mil exemplares da literatura periférica, artes, feminismo, hip hop. No evento, apresentaram o mais recente lançamento: o livro “10 Anos do Emicida”. Site: www.literarua.com.br

ClinFy: intermediação em saúde

Startup no ramo da saúde, a ClinFy é uma plataforma intermediadora que conecta cuidadores, acompanhantes, enfermeiros e babás às pessoas que necessitam desses serviços. Conta com mais de 5 mil profissionais cadastrados, de acordo com o perfil (experiência, formação). Além dos profissionais, oferece outros serviços para auxiliar os pacientes, como pesquisa de medicamentos mais baratos, lembrete para tomar remédios, prontuário médico-paciente, além de um sistema de pulseira de localização e monitoramento – útil sobretudo para idosos. Site: www.clinfy.com.br

Enjoy: comida orgânica

A plataforma Enjoy conecta produtores de orgânicos com quem quer consumir esse tipo de alimento. Atende à região de Parelheiros, sendo um elo entre o rural e a quebrada. Funciona sob encomenda e já tem 70 clientes e 200 usuários. Seu objetivo é democratizar a alimentação orgânica na periferia. Facebook: https://www.facebook.com/enjoyorganicos/

Meninos da Billings: passeio de barco com gastronomia

O negócio realiza 20 passeios por mês na represa Billings com agendamento prévio. Oferece roteiro gastronômico durante o trajeto, atrelado à gastronomia local. Visa incentivar o ecoturismo na região. Facebook: https://www.facebook.com/meninosdabillings/

Recircular

Negócio da Vila Prudente, já beneficiou 1.700 famílias, trazendo uma alternativa ao descarte incorreto de 3.400 litros de óleo e 13 mil toneladas de lixo jogados fora. Sob o lema: “com o Reciclar, seu lixo gera dinheiro”, incentiva os moradores a levar o lixo para reciclagem, sendo que o “doador” pode destinar parte do recurso dos resíduos para creches, asilos. O Recircular criou uma metodologia para conseguir entrar nas favelas e sensibilizar os moradores para o descarte correto do lixo. Pretendem, a partir dela, continuar atuando com educação ambiental, a fim de criar outros recirculares em áreas periféricas. Dos 40 cooperados da Recircular, 30 são mulheres. Facebook: https://www.facebook.com/COOPERECIFAVELA/

Kitanda das Minas: Afrobuffet

O Kitanda das Minas oferece produtos e serviços centrados na valorização das mulheres negras na gastronomia. Em sua equipe culinária estão quintandeiras, mulheres de tabuleiro e de aracajés. O objetivo é evidenciar esses grandes talentos, oferecendo cardápios da gastronomia brasileira para eventos corporativos e palestras. O Kitanda realizou 165 eventos em 2019, sendo responsável pela contratação de 39 cozinheiras negras. Facebook: https://www.facebook.com/kitandadasminas/

Anip: de aceleradora para articuladora

No evento também foi anunciado os novos rumos da Anip, que passa a se auto-intitular como “Articuladora” de Negócios de Impacto Social, em vez de “Aceleradora”. A mudança se deve ao fato de termos “compreendido que o ecossistema de Negócios de Impacto Periféricos (NIPs) é distinto e os negócios estão em diferentes estágios. Portanto, só acelerar não é suficiente”, esclarece Fabi Ivo. De acordo com ela, para o próximo ano, a meta é garantir que aconteçam as rodas de conversas em diferentes periferias de São Paulo, em busca da possibilidade de ampliar para outros estados. Site: https://www.aceleradoranip.com/

|Por Carla Prates

Empreender na coletividade

Coletivos ou redes de mulheres empreendedoras estão cada vez mais se multiplicando – sempre foram uma forma de continuar resistindo no ofício; veja o exemplo das cooperativas – mas nem sempre ouvimos falar sobre eles. Na sociedade, muitas vezes impera o “cada um por si”, mas exemplos como o de Vera demonstram a força que tem esse formato de trabalho e de geração de renda, que traz inúmeros benefícios para quem se propõe a fazer parte e fazer junto.

A história da empreendedora Vera Lúcia dos Santos, empreendedora do e-Bairro e idealizadora do coletivo Ponto a Ponto, se parece com a de muitas mulheres que tentam ganhar a vida por conta, mas é diferente porque ela soube se cercar de estratégia e resiliência. Tudo por conta de um propósito.

Após 25 anos com emprego com carteira assinada e uma experiência de 10 anos na área da assistência social, decidiu empreender e demonstra hoje que, com fé, trabalho e foco em não perder oportunidades, tudo tende a dar certo!

Desde o início, aparecia oportunidade e ela estava lá, com seu alto-astral e otimismo de sempre! Vera fez um curso de empreendedorismo no Sebrae em 2015, época em que se oficializou como MEI (microempreendedora individual) e participou de alguns workshops do Facebook e do Google.

Depois, fez o credenciamento na SUTACO (Sistema Único do Trabalho Artesanal nas Comunidades) e conseguiu da prefeitura uma licença para expor seus produtos sem a necessidade do pagamento da taxa territorial cobrada aos demais participantes.

Essas e outras produções da Vera e do Coletivo Ponto a Ponto estão disponíveis no site do e-Bairro.

Agregar com a experiência de vida

Formada em Contabilidade e Assistência Social, trabalhou 10 anos no serviço público e resolveu empreender naquilo que oferecia dentro do SUS (Sistema Único de Saúde), que era atender e direcionar pessoas para a melhoria de sua qualidade de vida, geração de renda e identidade pessoal.

Sendo assim, com mais duas amigas da área da saúde, Vera iniciou os trabalhos em casa mesmo e, depois, elas passaram a se reunir na garagem da vizinha. E, aos poucos, os trabalhos foram se espalhando pelas redes sociais.

Hoje o Coletivo Ponto a Ponto, formado por Vera, já conta com 3 artesãs. “Além disso, tem mais meninas que trabalham em suas casas, colocam seus produtos no meu espaço e 10% do que é vendido fica para o Coletivo, pois faço a divulgação, uso minha máquina de cartões e minhas embalagens. E, uma vez ao mês, fazemos o ‘Bazar do Condomínio’”, conta Vera.

Os “perrengues” do início. Quem nunca?

Para ela, uma das maiores dificuldades foi o início, pois a insegurança e o medo são as principais matérias-primas.

“Reunir capital para comprar uma loja foi difícil, a saída encontrada foi ir guardando um pouco do meu salário todos os meses até que, em setembro de 2018, eu consegui comprar os primeiros itens para abrir uma loja”, lembra.

Uma trajetória com final feliz! Desde a adolescência, Vera faz trabalhos artesanais até que, na idade adulta, teve coragem de transformar o hobby em fonte de renda.

Em 2018, ela foi selecionada para um edital da prefeitura de SP, e, com a verba recebida, conseguiu melhorar ainda mais os serviços oferecidos, além de incluir outras mulheres artesãs à lida.

“Eu me preparei e fui convidando amigas que tinham afinidade com a área e, aos poucos, vou transmitindo pra elas o que aprendi como empreendedora para que todos possam criar autonomia e buscar suas próprias linhas de trabalho sem ficar na dependência apenas do Coletivo”, conta.

Está iniciando? Olha as dicas da Vera pra você!

Para quem está iniciando, ela indica:

“Preparar-se fisicamente, mentalmente e financeiramente é essencial antes de começar o próprio negócio, pois iniciar sem grana e ser seu próprio patrão exige muita dedicação”.

Vera trabalha em média 12h por dia, mas foca na qualidade do produto e na pontualidade da entrega.

O trabalho é feito com confiança por conhecer os clientes que, na maioria, são amigos e vizinhos. Ela é moradora do Jardim São Luís. “Quando vendo pro Centro, os produtos são adquiridos pelas redes sociais, são públicos para produtos distintos. Pedem mais customização e transformação de roupas, moda praia e peças mais elaboradas; eles não se importam com o preço, principalmente ao saber que a peça é exclusiva e feita a mão. Já a periferia consome mais reformas de roupas e alguns produtos para decoração”, completa Vera, mostrando entender como ninguém do próprio negócio.

Conheça mais sobre o trabalho da Vera e do Ponto a Ponto no e-Bairro!

 

 

Aberto pra toda forma de arte!

Um ateliê aberto no Capão Redondo! Futuramente, uma residência artística. É o Capãonu, que abre seu espaço para múltiplas linguagens artísticas: música, escultura, vídeoarte, performances, produções, ensaios, apresentações e exposições; aberto às artes nas mais diversas formas de expressão – cênicas, circenses, plásticas, visuais.

Em um ano, mais de 30 bandas já estiveram por lá.

Uma vez por semana também pretendemos abrir para gravações de músicos e bandas. Ensaios aberto é outra possibilidade. É um espaço de produção fora das instituições, pra galera produzir”, conta Beto Silva, um dos idealizadores do Ateliê Aberto, que é morador do Capão a vida toda.

Aberto, provocativo e crítico! É o que se pode dizer do espaço. Beto Silva era um dos integrantes do coletivo Gente Muda (daí pode ter vindo esse espírito criativo revolucionário), que, desde 2005, traçou sua trajetória a partir de experimentos e pinturas na rua.

A livre expressão é um direito?

No primeiro graffiti que fizemos, a gente tomou um ‘enquadro’ (da polícia). Antes disso, a gente só queria fazer um fanzine com algumas ilustrações que já tínhamos, mas a ideia cresceu até chegar aos graffitis, pintura em tela, em painéis e ao livro “Servo dos Servos”, pois as HQ’s sempre estiveram por perto, seja como referência artística ou como objetivo em produzir uma”, conta Beto, já relatando um pouco da sua trajetória solo.

Tudo isso sem contar o curta-metragem Gente Muda, um clássico das quebradas lançado em 2009, que já trazia questionamentos em torno da liberdade de expressão. Afinal, quem seria o proprietário da rua? O graffiti e a arte precisam de licença pra existir?

Pintando as ruas do Capão

Na pequena rua em que fica o Capãonu, os graffitis de Beto e seus companheiros do Gente Muda e de outros rolês estão em várias das paredes.

Já conhecia os moradores da rua e daí chamei amigos, artistas, e começamos a pintar nas paredes. Ninguém reclamou, só elogios”, relata o artista. E, assim, a rua cinza da grande metrópole ganhou um colorido especial!

Quem dera todas as ruas fossem assim…

Grafites por aí afora

Os grafites do Beto Silva estão por toda parte, o mais recente é o da Yellow Bike, que fica perto da Comendador Sant’anna no Capão (já pertinho do Jardim Ângela); mas a “arte nos muros” de Beto já chegou até a Argentina e ao Uruguai.

Agora o Ateliê promete ser um espaço de arte livre e continua a ser questionador, começando pelo próprio nome:

“O Capão no nome do Ateliê tem a ver com nossa origem, pois nascemos aqui; o Nu tem a intenção de promover a reflexão sobre o nu na arte, a forma como isso é tachado pela sociedade e o impacto social que tem até hoje”, relata Beto.

O que imediatamente nos remete ao caso do Museu de Arte Moderna (MAM), que se tornou uma polêmica e aqueceu debates.

Arte sem manual de instruções

A proposta do trabalho de Beto Silva é a arte questionadora, que deixa margem para a reflexão e a livre interpretação:

“Curto mais trabalhar só a imagem e não ter coisa escrita, gosto da arte menos óbvia, que traz questionamentos. Arte não precisa de manual de explicações, deve ser livre para a interpretação de cada um”, finaliza.

O Ateliê Aberto Capãonu acaba de ganhar um financiamento do VAI (Programa de Valorização de Iniciativas Culturais). E tem muita novidade boa vindo por aí!

Fique ligado nas redes sociais do Capãonu Ateliê Residência: @capaonu

O ateliê fica na rua Maria Blanchard, 177 – Capão Redondo

Entre em contato pelo e-mail : capaonu@gmail.com

Por que comprar de quem faz?

Entrevistamos a educadora popular e socióloga Anabela Gonçalves, que nos contou como a economia local contribui para o bairro periférico, podendo atuar para criar uma identidade local.

Por que comprar de quem faz nos territórios: artesãs, artesãos, escritores independentes e artistas?

“O território é capaz de produzir diversas coisas. A importância da produção local é que o dinheiro fica entre as pessoas do próprio bairro e a gente consegue criar uma economia (local), e esperamos que seja mais que uma sobrevivência, que isso cresça! Ainda é muito pouco o que se consome e produz na periferia, mas é um movimento que tende a crescer e se transformar.

Importante pensarmos o que a gente pode criar. Podemos fazer uma pesquisa para construir um lugar de alimentação na periferia? Vamos nos basear na nossa ancestralidade nordestina e, a partir disso, criar um cardápio? Vamos nos conectar, criar diversos restaurantes e assim criar cultura?

O comércio periférico em geral ainda imita o comércio tradicional, do qual as pessoas conhecem, costumam ver por aí e se parece um pouco com a economia criativa. Então se cria a hamburgueria parecida com o fast-food, o sushi com um sushiman, a loja de roupas com a moda atual, mas, com o tempo, surge uma identidade a partir disso.

O que conseguimos reconhecer por meio das nossas relações de consumo que hoje estão desassociadas é que o consumo cria identidade e não a identidade cria o consumo e isso é uma relação que precisa ser discutida. Eu quero parecer com uma pessoa de sucesso então eu compro uma roupa parecida com a dela, mas e se eu criasse uma identidade do que é ter sucesso? O comércio local tem esse poder!

Se a gente criar uma rede de debates e de aprofundamento sobre empreendedorismo local e rede local de trabalho, podemos chegar nesse lugar de produzir cultura, porque um bar pode ser só um bar, mas também pode ser um espaço de poesia. Há vários exemplos disso: o bar do Zé Batidão, aonde acontece o Sarau da Cooperifa; a garagem da Michelle Correa, que se transforma em um Bazar; a Agência Solano Trindade, que abriu um restaurante e uma loja de produtos orgânicos, entre outros.

A produção local cria uma identidade local! Ela pode variar de bairro pra bairro, mas acaba criando um público específico de consumo (e não guetos), que pode ser interessante e assim fazer uma discussão cultural, de referências artísticas de produção e consumo”.

Sobre Anabela Gonçalves…

Formada em Sociologia pela FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), atua como coordenadora do Centro de Juventude na Fundação Julita, é Presidente da Associação Bloco do Beco e opera na coletiva Periferia Segue Sangrando.

Foto: Tati Limas

Reportagem: Kelly Lemos

Literatura e resistência

A história de uma Editora, Livraria e Espaço Cultural em uma pequena rua no meio de uma comunidade…

Em meio ao Parque Santo Antônio, em uma rua no formato de “ferradura”, está um espaço de resistência e de imensa beleza pelo que se propõe: a Editora FiloCzar. Uma iniciativa do filósofo César Mendes da Costa e de sua companheira também filósofa, Monica Aiub; o espaço é, ao mesmo tempo, editora, livraria (com dezenas de títulos de autores independentes), biblioteca comunitária e local de oficinas e encontros, como cines filosofia e cursos afins.

“Já teve uma aposta de duas moradoras antigas daqui que todos os dias iam ao trabalho por lados opostos da rua. Uma falou pra outra que tinha uma livraria na rua, a outra não acreditou. E assim se deu a aposta! Um dia uma delas passou aqui e perguntou: ‘o que é esse espaço?’. E  eu disse: uma livraria. Daí ela sorriu e me falou: ‘ganhei’! Alguns dias depois, a outra fez uma pergunta parecida e, assim que respondi, já pude ouvir: ‘perdi’”; relata César Mendes, que conta a história para ilustrar o fato raro de se ter uma livraria independente no meio da comunidade.

O que deveria ser motivo de orgulho, no entanto, traz para os moradores estranheza, como ilustra bem a aposta entre as moradoras! Mas não para as crianças que entram bem à vontade lá para tomar água e assistir aos filmes que César exibe vez ou outra ou mesmo para participar da oficina de produção de livros ou até levar um livro emprestado para ler em casa.

Detalhe importante: a editora pratica a arte de “fazer livros” com as próprias mãos, por meio do processo manual de costura dos livros. Já acumula em seu currículo mais de 30 títulos independentes.

Trajetória de luta

A Editora FiloCzar existe desde 2011, iniciando sua história com a publicação de livros. “Para manter o espaço já tive que aprender muita coisa. Quando fiz o primeiro livro eu nunca tinha costurado na vida! Foi a primeira vez. Também tive que aprender marcenaria para fazer alguns trabalhos na livraria, como as estantes. Para isso, tive o auxílio da marcenaria PASA, que fica em frente à livraria, com orientações, projetos para os armários, cortes de madeira e até a construção de prensas”, relembra Cesar.

E não foi assim só com a editora e livraria. César conta que na primeira exibição de filmes, do Cine Filosofia, a tela era uma parede branca que ele mesmo pintou e teve que esconder os rebocos, tampar com fita adesiva. Hoje o Cine é exibido em um espaço de paredes pretas e tela grande, especial para a projeção, que fica atrás da livraria.

Ele conta que tanto o acervo do Cine como o da livraria foi melhorando sua estrutura com o tempo; “conseguimos comprar um projetor um pouco melhor. Uma coisinha aqui, outra ali. E, com a venda de um livro, eu sempre comprava outro ou quando alguém encomendava um livro eu já comprava dois”!

O espaço segue empreendendo sua trajetória por meio das vendas de livros na comunidade; “parte aqui, parte em eventos dos quais participamos, vamos equilibrando. A maioria dos que procuram os livros são alunos que buscam títulos indicados pela escola para leitura”, diz César.

 E ainda não acabou…

Como se tudo isso já não bastasse, eles seguem com novas ideias e projetos: além do acervo disponível para empréstimo, teve início uma oficina de pesquisa (uma espécie de conceituação e prática para a dissertação de uma tese), um preparatório para mestrado, que iniciou com um grupo e hoje tem uma aluna apenas. O que não diminui o seu propósito inovador e necessário, assim como a leitura.

O espaço também abriga eventos para o lançamento de livros de autores do território.

Por enquanto o espaço é para poucos, mas com mais “Césares e Monicas” torcemos que passe das dezenas para centenas e milhares e, como disse César durante nossa visita, “com a leitura podemos atravessar pontes”!

Quem sabe no futuro os meninos que brincam na rua em frente à livraria ou frequentam as atividades culturais da FiloCzar entrem no espaço à procura do seu valioso acervo (impecável, diga-se de passagem), que contempla assuntos diversos: literatura, política, temas espirituais e, como não podia faltar, filosofia, além dos publicados escritores e poetas do território.

Como adquirir os livros da FiloCzar?

Além das vendas na comunidade, os títulos da Editora são distribuídos pela Loyola Distribuidora e comercializados em várias livrarias. A novidade é que alguns títulos agora também estão no e-Bairro. Acesse a loja!

Ah, e claro: não deixe de passar por lá para conhecer esse espaço incrível. Imperdível!

Livraria & Editora FiloCzar

Rua Durval Guerra de Azevedo, 511 – Parque Santo Antônio

Horário de Funcionamento: de segunda a sexta, das 10 às 19h; sábados, das 10 às 18h; domingo, das 11 às 17 horas.

Texto: Carla Prates

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“Conheci a FiloCzar no dia do meu aniversário. Foi um presente! Meu sonho sempre foi ser escritora, mas a vida e as necessidades me levaram para outros ares! Conhecer o espaço de alguma forma me reconectou com minha essência! Mas no dia seguinte fiquei mais surpresa ainda ao perceber que muitos amigos, que frequentam a cena cultural, não o conheciam. Como assim? Incrível como as informações sobre o que acontece ao lado da nossa casa não chega até nós quando moramos na periferia. São territórios de informação fragmentada, interrompida pela luta do dia a dia e pelo domínio da divulgação das grandes mídias”.